Nestas eleições verificamos que se mantém a tendência para a sobrestimação do partido dado como derrotado, foi o que aconteceu ao PS, neste caso ao contrário das últimas eleições legislativas, o partido dado como vencedor foi subestimado, um facto que já não acontecia desde 1995. Com isto chegamos ao essencial, a retirar desta eleição é que houve uma subestimação significativa das sondagens da margem de vitória, sendo superior a 4,5% nas urnas do que as sondagens nos indicavam, assim podemos concluir que pode ter existido nestas eleições, o chamado efeito bandwaggon, o efeito que favorece o partido que está à frente nas sondagens, para isso terá contribuído os sucessivos empates técnicos das sondagens, que tiveram o condão de segurar todo o eleitorado do PSD, pois ninguém no partido poderia imaginar que as eleições estavam ganhas à partida, evitando a abstenção por certeza de vitória, além disto, pode ir buscar alguns votos úteis ao CDS, por receio da vitória socialista. A aproximação do acto eleitoral, já na campanha e após a vitória de Passos Coelho no debate frente a Sócrates, momento importante na vitória do PSD, começou finalmente a desenhar-se a onda de vitória laranja, tendo as sondagens na parte final mostrado a tendência de subida do PSD, o seu líder inclusive chegou a pensar no sonho da maioria absoluta enquanto nesta altura José Sócrates ainda pensava na vitória, mas o que as sondagens fizeram foi dar uma dinâmica de vitória que o PSD não estava a demonstrar nas ruas. O CDS apesar de prejudicado, não foi tanto como o PS pelos resultados das sondagens, não conseguiu ter um resultado histórico, mas teve lá perto, conseguindo crescer eleitoralmente apesar da subida do PSD, o seu líder esteve sempre atento a estas coisas e conseguiu de algum modo combater o voto útil e evitar a maioria absoluta do PSD. O PCP mais uma vez ficou com um resultado muito similar aos dados pelas sondagens, e por último, o BE, no qual as sondagens já davam uma perda significativa de eleitores, nas urnas ainda foi pior e o seu resultado foi sobrestimado em cerca de 1%. O que resulta dos resultados eleitorais foi que as sondagens empurraram o PSD para uma vitória folgada, penalizando mais o PS e o BE, e contribuindo para o não maior aumento do CDS, mais importante do que isso os portugueses fizeram o seu julgamento ainda mais penalizador do que as sondagens indicavam para quem governava, e premiando mais as únicas alternativas de governo existentes para a mudança de governo, foi essa a principal vontade dos portugueses nestas eleições, mais visível nas eleições do que nas sondagens.
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