Na passada 4ª feira, o governo português pediu à União Europeia um empréstimo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira que envolverá o Fundo Monetário Internacional, o qual será negociado até 16 de Maio pelo governo demissionário, que em princípio contará com o apoio do Presidente e do PSD mais o CDS. A crise financeira internacional que começou nos EUA no sector imobiliário no Verão de 2007 alastrou-se para a Europa no final de 2008 teve desde há um ano na instabilidade dos mercados a sua pior consequência, sobretudo para os Estados-Membros da Zona Euro, aqueles que tinham défices excessivos após terem apoiado as economias para combater a crise viram isso repercutir-se num aumento para níveis demasiado elevados as suas dívidas públicas, por isto países como a Grécia que mentiu durante vários orçamentos se viu confrontado com um défice que nunca conseguiria reduzir para 3% sem a ajuda externa da UE e do FMI, já a Irlanda foi dos países que mais sofreu com esta crise global com a completa falência do seu sistema financeiro e por isso caso não tivesse ajuda externa não conseguiria manter o seu sistema financeiro. Quanto a nós, o 3º país da Zona Euro a pedir ajuda ao fundo europeu e ao FMI, esta ajuda resulta da elevada dívida pública e externa, à qual os juros que temos de pagar por ela se tornaram insustentáveis, a partir do momento em que os bancos decidiram não comprar mais a nossa dívida e com um leilão que acarretou juros demasiados elevados para que já no curto prazo entrássemos em incumprimento, isto é a bancarrota tornando inevitável este pedido. Portanto, o empréstimo que o FMI nos vai dar é para pagar as nossas dívidas com juros, que a serem bem negociados deveriam ser muito inferiores ao praticado nos mercados financeiros, mais importante que o montante do empréstimo, talvez 80 mil Milhões € para os próximos 3 anos, contudo importa sublinhar este falhanço nacional 28 anos depois de o FMI nos ter salvo da mesma situação, com contextos diferentes mas o significado é o mesmo não conseguimos resolver por nós os nossos problemas, a necessidade de ir com frequência lá fora financiarmos para poder realizar as despesas do Estado. O problema tem vários anos, foi agravado e muito pela crise internacional, além disso a UE reagiu tarde à crise, ninguém pensou que ao pedir-se aos Estados um esforço para apoiar as economias faria aumentar os défices em demasia e por consequência as dívidas, o Governo também demonstrou incapacidade de previsão deste cenário e tomou as medidas necessárias tarde mais e por vezes insuficientes, contudo penso que a partir do OE 2011 a ser cumprido, como tem sido, o défice chegaria aos níveis que nos comprometemos, apesar disso como não se conseguiu assegurar a confiança dos mercados era necessária mais medidas orçamentais, às quais o Governo deu seguimento no novo P.E.C. ao qual veríamos se conseguiria reestabelecer a confiança nos mercados, mas a sua rejeição no Parlamento que impediu o Governo de manter o compromisso de cumprimento dessas medidas, até porque seriam impedidas de serem executadas no novo OE. De facto, a crise política que a rejeição do novo P.E.C. deu origem levou ao agravar da nossa situação, as eleições antecipadas saberíamos que levaria a entrada do FMI em Portugal, o que acabou por acontecer, afinal todos temos responsabilidades neste fracasso nacional, o Governo tem as suas responsabilidades mas a oposição também responsabilidades por não ter negociado o P.E.C. Já chega de falar do passado e do presente, o futuro do Portugal passa pelas eleições de 5 de Junho e pelo FMI, pelo menos acabou para nós a insuportável pressão dos mercados e não entraremos em bancarrota graças ao pedido de ajuda do exterior, o preço a pagar por isso serão mais medidas restritivas que irão penalizar ainda mais as condições de vida e o poder de compra dos portugueses, além do desprestígio que disto resulta e da irreparável perda de orgulho nacional que a intervenção externa no nosso país vai implicar.