quarta-feira, 5 de junho de 2019

Cenários Possíveis para as Eleições Legislativas


         Previsão: 
  1. Partido Socialista vai ganhar as eleições
  2. PS vai ganhar sem maioria absoluta
  3. PPD/Partido Social-Democrata irá ter uma derrota pesada, arriscando-se mesmo a ter o pior resultado de sempre, o que vai obrigar à demissão do Presidente da Comissão Política Nacional Rui Rio
  4. Bloco de Esquerda terá um resultado semelhante ao 2015, talvez um pouco mais, podendo ter deputados suficientes para desafiar o PS, a um Governo de coligação de esquerda formado pelos 2 partidos, sem a companhia do Partido Comunista Português
  5. PCP antevê-se uma perda eleitoral, tal como nas últimas eleições, sendo o único partido prejudicado eleitoralmente por apoiar no Parlamento o Governo do PS, das duas uma, ou sai da equação da maioria parlamentar, que continuará a ser de esquerda, ou então poderá ser a chave da solução de viabilização do Governo de António Costa na próxima legislatura.
  6. CDS-Partido Popular também sairá derrotado, ao ponto de colocar em causa a liderança de Maria Assunção Cristas, a direita ou centro-direita ficará ainda mais minoritário no Parlamento. A fragmentação deste eleitorado é uma das causas do insucesso eleitoral, não será fácil nos próximos tempos regressarem ao poder.
  7. Pessoas Animais e Natureza vão passar a ter um grupo parlamentar, consolidando como novo partido parlamentar português, quem sabe com uma palavra a dizer na solução política de viabilização do novo Governo.
  8. Outro partidos, apenas o Aliança tem hipóteses de eleger deputados, quem sabe também poder influenciar a futura governação, tudo depende de quantos deputados fica o PS da maioria absoluta.
  9. Em síntese, a grande questão será, como e sobretudo com quem, o PS vai conseguir governar na próxima legislatura. Se em coligação com o BE, com o apoio parlamentar do PCP, ou do BE, ou de ambos, ou com o PAN, ou outra solução inventada por António Costa, com o objetivo de ser o Primeiro-Ministro socialista com mais tempo no poder. O PS ainda não conseguiu estar mais de 6 anos consecutivos no Governo, assim foi com António Guterres e José Sócrates, ao fim do sexto ano, a meio da 2ª legislatura acabaram por demitir-se entregando o poder à direita e deixando sempre o país em maus lençóis. 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Composição do Parlamento Europeu


  1. Partido Popular Europeu                                                          179 mandatos
  2. Aliança Progressista de Socialistas e Democratas Europeus 153 mandatos
  3. Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa                     105 mandatos
  4. Os Verdes/Aliança Livre Europeia                                             69 mandatos
  5. Reformistas e Conservadores Europeus                                   63 mandatos
  6. Europa de Nações e Liberdade                                                 58 mandatos
  7. Esquerda Unida Europeia - Esquerda Nórdica Verde               38 mandatos
  8. Outros                                                                                        24 mandatos
  9. Não-Inscritos                                                                               8 mandatos 

          Abstenção: 51%

  1. PPE vence as eleições pela Europa mais uma vez, mas desta feita pode não conseguir eleger o Presidente da Comissão Europeia. António Costa parece querer exportar o que fez cá em 2015, já não basta ganhar, é preciso uma maioria parlamentar para formar neste caso a Comissão, veremos se os Socialistas Europeus conseguem fazer uma espécie de "gerigonça à europeia".
  2. Socialistas e Democratas Europeus perderam representação parlamentar, tal como o PPE, pela primeira vez os dois juntos não têm maioria no Parlamento Europeu, um problema que pode ser uma oportunidade, para os socialistas conseguirem colocar Frans Timmermans na liderança da Comissão.
  3. ALDE subiram significativamente a sua representação, sobretudo devido à inclusão nesta família política dos eurodeputados eleitos pelo partido do Presidente de França Emmanuel Macron, estes deputados poderão ser decisivos para a formação das maiorias necessárias no Parlamento na próxima legislatura.
  4. Os Verdes foram uma surpresa na noite eleitoral, foram segundos na Alemanha e terceiros em França. o movimento social de jovens em prol do meio ambiente, parece ter tido alguma repercussão nas urnas, também aqui podem ser determinantes para a formação de maiorias no Parlamento Europeu.
  5. Os partidos pró-europeus parecem estar em maioria, apesar dos partidos do centro terem perdido pela primeira vez a maioria, com os liberais e ecologistas podem aliar-se para impedir os que são contra a existência da própria da UE tentarem implodir por dentro as instituições comunitárias.
  6. Apesar disto, a extrema-direita subiu um pouco pela Europa, continuando a ser uma ameaça ao projeto europeu, não o suficiente para formar uma minoria de bloqueio, mesmo assim não deixa de ser preocupante os seus resultados. Ao invés, a extrema-esquerda praticamente mantém a sua representação.
  7. Por fim, a abstenção também na Europa muito elevada, mais de metade dos europeu não foram às urnas, não tanto como em Portugal, não deixa de ser também uma ameaça à solidez das instituições europeias, que assim perdem naturalmente alguma da sua legitimidade política.  

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Análise aos resultados eleitorais das Europeias



  1. Partido Socialista vence as eleições, com margem de vitória alargada, mas sem um grande resultado, obteve apenas 1/3 dos votos dos pouco mais de 30% que foram às urnas, beneficiaram do péssimo resultado do PPD/PSD, antevendo-se vitória nas Legislativas, no entanto longe da maioria absoluta
  2. Partido Social-Democrata teve o pior resultado de sempre, prevendo-se também derrota pesada nas próximas eleições em Outubro, só a proximidade do ato eleitoral seguinte é que permite manter o líder pelo menos até lá, muito longe está de poder pensar em vencer
  3. Bloco de Esquerda teve um bom resultado, ganhou 1 eurodeputado, reafirma-se como 3ª força política, contudo já vimos ter melhores resultados, na ordem dos 2 dígitos, ficou lá perto, mas tiveram menos do que nas últimas Legislativas de 2015, se assim o desejarem podem ir para o Governo em coligação com o PS, se estes quiserem o mesmo.
  4. Partido Comunista Português tiveram um mau resultado perderam 1 eurodeputado, confirma a queda sentida noutras eleições, Presidenciais e Autárquicas, na minha opinião é o único partido prejudicado pela atual solução política de Governo, por apoiar no Parlamento o Governo do PS e pode tornar-se descartável na próxima legislatura ou não, poderá continuar a viabilizar o Governo de António Costa, veremos.
  5. Centro Democrático e Social também saíram derrotados, apenas conseguiram eleger o cabeça-de-lista Nuno Melo, fica atrás dos partidos de extrema-esquerda, não se confirmou a ultrapassagem do PAN, contudo tiveram um resultado fraco, claramente não se vislumbra alteração de maioria parlamentar nos próximos tempos.
  6. Pessoas Animais e Natureza, para mim os grande vencedores da noite eleitoral, fizeram história ao eleger pela 1ª vez terão representação no Parlamento Europeu, afirma-se cada vez mais como o 6º partido em Portugal, provavelmente nas próximas eleições também irão crescer, vão passar a ter grupo parlamentar e quem sabe uma palavra a dizer na formação do próximo Governo.
  7. Outros partidos, como disse o próprio líder do partido Aliança Pedro Santana Lopes, foram os primeiros da "Liga de Honra" ou "2ª Liga" ou primeiros dos últimos, talvez consigam eleger deputados nas Legislativas, tinham um bom candidato, mas ficou longe de uma potativa eleição. Rui Tavares (Livre), André Ventura (Basta), Paulo Morais (NC) António Marinho e Pinto (PDR) apesar de serem nomes mediáticos, também tiveram pouca expressão nas urnas, até Marinho e Pinto que era eurodeputado e há 5 anos tinha sido a surpresa da noite. Nestes pequenos partidos só vejo algum futuro no Aliança, para se estabelecer na política nacional devido ao mediatismo do seu líder e fundador. Nestas eleições, os pequenos partidos surgiram até com alguns candidatos de valor, mas todos ficaram bem longe de uma possível eleição, o voto de protesto tem ido mais para o PAN, conseguindo agregar alguns descontentes com o nosso sistema político democrático.
  8. A abstenção recorde na ordem dos 70%, costuma votarem apenas 1/3 do eleitorado em Europeias, desta vez nem isso. O partido mais votado, que teve cerca de 1/3 dos votos, em suma teve apenas cerca de 10% dos eleitores e foi o partido mais votado, por maioria de razão os outros tiveram menos do que isso. Se por um lado compreende-se o desinteresse nestas eleições, já que apenas elegemos 21 dos 751 eurodeputados para o Parlamento Europeu, que nem sequer é o órgão mais importante da União Europeia, que é claramente o Conselho Europeu, onde estão representados os Estados-membros, através dos seus governos. Por outro lado, sabendo que cerca de 80% senão mais, da legislação é emanada da UE, com meras transposições para o direito interno das diretivas comunitárias. Em síntese, compreende-se o alheamento face a estas eleições, no entanto os portugueses e os europeus em geral, ainda não perceberam a relevância do processo de integração europeia tem para as decisões políticas nacionais que afetam o seu quotidiano.  

Resultados eleitorais das Eleições Europeias de 2019


  1.  PS                              33,4%          9 eurodeputados
  2.  PPD / PSD                 21,9%          6 eurodeputados         
  3.  BE                                9,8%          2 eurodeputados
  4.  CDU (PCP / PEV)        6,9%          2 eurodeputados
  5.  CDS/PP                       6,2%          1 eurodeputado
  6.  PAN                             5,1%          1 eurodeputado
  7.  Aliança                        1,9% 
  8.  Livre                            1,8%
  9.  Basta                           1,5%
  10.  Nós, Cidadãos            1,1%
  11.  Iniciativa Liberal          0,9%
  12.  PCTP/MRPP               0,8%
  13.  PNR                            0,5%
  14.  PDR                            0,5%
  15.  PURP                          0,4%
  16.  PTP                             0,3%
  17.  MAS                            0,2%            

          Nulos                           2,7%           
          Brancos                       4,3%
          Abstenção                  69,3%