quarta-feira, 29 de maio de 2019

Análise aos resultados eleitorais das Europeias



  1. Partido Socialista vence as eleições, com margem de vitória alargada, mas sem um grande resultado, obteve apenas 1/3 dos votos dos pouco mais de 30% que foram às urnas, beneficiaram do péssimo resultado do PPD/PSD, antevendo-se vitória nas Legislativas, no entanto longe da maioria absoluta
  2. Partido Social-Democrata teve o pior resultado de sempre, prevendo-se também derrota pesada nas próximas eleições em Outubro, só a proximidade do ato eleitoral seguinte é que permite manter o líder pelo menos até lá, muito longe está de poder pensar em vencer
  3. Bloco de Esquerda teve um bom resultado, ganhou 1 eurodeputado, reafirma-se como 3ª força política, contudo já vimos ter melhores resultados, na ordem dos 2 dígitos, ficou lá perto, mas tiveram menos do que nas últimas Legislativas de 2015, se assim o desejarem podem ir para o Governo em coligação com o PS, se estes quiserem o mesmo.
  4. Partido Comunista Português tiveram um mau resultado perderam 1 eurodeputado, confirma a queda sentida noutras eleições, Presidenciais e Autárquicas, na minha opinião é o único partido prejudicado pela atual solução política de Governo, por apoiar no Parlamento o Governo do PS e pode tornar-se descartável na próxima legislatura ou não, poderá continuar a viabilizar o Governo de António Costa, veremos.
  5. Centro Democrático e Social também saíram derrotados, apenas conseguiram eleger o cabeça-de-lista Nuno Melo, fica atrás dos partidos de extrema-esquerda, não se confirmou a ultrapassagem do PAN, contudo tiveram um resultado fraco, claramente não se vislumbra alteração de maioria parlamentar nos próximos tempos.
  6. Pessoas Animais e Natureza, para mim os grande vencedores da noite eleitoral, fizeram história ao eleger pela 1ª vez terão representação no Parlamento Europeu, afirma-se cada vez mais como o 6º partido em Portugal, provavelmente nas próximas eleições também irão crescer, vão passar a ter grupo parlamentar e quem sabe uma palavra a dizer na formação do próximo Governo.
  7. Outros partidos, como disse o próprio líder do partido Aliança Pedro Santana Lopes, foram os primeiros da "Liga de Honra" ou "2ª Liga" ou primeiros dos últimos, talvez consigam eleger deputados nas Legislativas, tinham um bom candidato, mas ficou longe de uma potativa eleição. Rui Tavares (Livre), André Ventura (Basta), Paulo Morais (NC) António Marinho e Pinto (PDR) apesar de serem nomes mediáticos, também tiveram pouca expressão nas urnas, até Marinho e Pinto que era eurodeputado e há 5 anos tinha sido a surpresa da noite. Nestes pequenos partidos só vejo algum futuro no Aliança, para se estabelecer na política nacional devido ao mediatismo do seu líder e fundador. Nestas eleições, os pequenos partidos surgiram até com alguns candidatos de valor, mas todos ficaram bem longe de uma possível eleição, o voto de protesto tem ido mais para o PAN, conseguindo agregar alguns descontentes com o nosso sistema político democrático.
  8. A abstenção recorde na ordem dos 70%, costuma votarem apenas 1/3 do eleitorado em Europeias, desta vez nem isso. O partido mais votado, que teve cerca de 1/3 dos votos, em suma teve apenas cerca de 10% dos eleitores e foi o partido mais votado, por maioria de razão os outros tiveram menos do que isso. Se por um lado compreende-se o desinteresse nestas eleições, já que apenas elegemos 21 dos 751 eurodeputados para o Parlamento Europeu, que nem sequer é o órgão mais importante da União Europeia, que é claramente o Conselho Europeu, onde estão representados os Estados-membros, através dos seus governos. Por outro lado, sabendo que cerca de 80% senão mais, da legislação é emanada da UE, com meras transposições para o direito interno das diretivas comunitárias. Em síntese, compreende-se o alheamento face a estas eleições, no entanto os portugueses e os europeus em geral, ainda não perceberam a relevância do processo de integração europeia tem para as decisões políticas nacionais que afetam o seu quotidiano.  

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