É oficial, a região autónoma da Crimeia pertencente até há pouquíssimo tempo à Ucrânia passa agora a pertencer à Rússia, país a que já pertenceu durante mais de 2 séculos, até há 60 anos quando Nikita Kruchev num daqueles dias menos sóbrios ou não, acabou por desviar a Crimeia para a Ucrânia, então pertencente à URSS, portanto mantinha-se no mesmo Estado, aliás este território tem muita história para contar desde o século XVIII, que não vale a pena contar toda. Este evento dá-se após as convulsões políticas e sociais na Ucrânia que a fez aproximar-se decisivamente do Ocidente e sobretudo da UE, esta região maioritariamente de população de nacionalidade russa, aproximadamente 60% desencadeou um processo tendo em vista este resultado final, primeiro com a aprovação parlamentar desta anexação e em simultâneo, a aprovação de um referendo com a pergunta aos crimerianos se pretendiam essa anexação ou então noutra pergunta se queriam a independência da Crimeia relativamente aos 2 países em causa. Desde logo, a Rússia apoiou estes esforços com acção militar inclusive no território, que na prática passou logo a lhes pertencer, mal foi declarada essa intenção pelos crimerianos, portanto foi um processo rápido e eficaz da Rússia à revelia do direito internacional, mas ironicamente assente na legitimidade democrática do voto, apesar de alguns condicionalismos ao voto sobretudo para os pró-ucranianos da região e aos nativos descendentes de outros povos que outrora habitavam naquele local. Para mim apercebi-me de imediato que seria muito complicado à Ucrânia manter todo o território, já que os "colonatos" russos da região prefeririam passar para o outro lado, também na expectativa de melhores condições de vida, se calhar com razão, mas confesso que no início tinha ficado com a impressão de que o que queriam mesmo era a independência e não a passagem para território russo, estava enganado, na 1ª hipótese compreenderia melhor a opção, assim compreendo mas não posso ser favorável a este ato de prepotência russa, apesar de como sempre respeitar a vontade popular. O pior da situação foi a incapacidade do Ocidente se ter imposto a esta mudança, nota-se cada vez mais que a Rússia vai reconquistando poder perdido com a derrota na Guerra Fria contra os EUA, há 6 anos quando invadiram a Geórgia conseguiram também levar a Abecássia e a Ossétia do Sul para o já vasto maior país do Mundo, lembro-me que na altura referia que a Rússia queria demonstrar que estava viva e pretendia rivalizar mais na balança de poderes nas relações internacionais, agora reforçam a sua posição, em detrimento do Ocidente que demonstra o apoio à Ucrânia sendo incapaz de lhe fornecer os meios para se poder tornar verdadeiramente independente da Rússia, que lhes faz lembrar e bem a ex-URSS.
Blog dedicado aos números, contabilidade e sobretudo partilha de conhecimento do autor Tiago Miguel Rodrigues Prates
quarta-feira, 19 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
Efeito político da crise económica nas Eleições Europeias 2014
Ao longo desta crise económica desde 2008 para cá, que se denota nas Eleições nacionais, sobretudo dos países com a crise mais acentuada nos últimos anos, a subida dos partidos considerados mais extremistas, radicais e eurocépticos ou aniteuropeus ou até mesmo antidemocráticos nalguns casos, tanto à esquerda como à direita. Por estas razões, estas eleições europeias o previsível é que venha a acontecer de novo, assistimos a partidos como a Frente Nacional a poder ganhar em França, o que é preocupante para a futura composição do Parlamento Europeu, a subida de partidos eurocépticos, que não são só de extrema-direita e extrema-esquerda também há nos mais moderados em alguns países menos entusiasmados com o projecto europeu, isto pode levar a termos um Parlamento Europeu com uma forte representação desses partidos em que pode ameaçar algum status quo existente nas instituições europeias relativamente à percepção feita sobre os beneficíos criados ao longo da história da UE. Mais preocupante ainda é assistir a partidos considerados moderados do centro colarem-se a aos partidos mais radicais, sobretudo isso acontece à direita, onde os partidos do centro procuram esvaziar à agenda desses partidos, não só não conseguem como definem posições políticas muitas delas fortemente contrárias a algumas políticas da UE, como é o caso da Imigração, no futuro podemos ter em causa por exemplo o Espaço Schengen de livre circulação de bens, pessoas e capitais pelo espaço europeu, além de outros riscos que existem. A crise económica dentro da UE, em especial na Zona Euro, nas sucessivas eleições gerais feitas nos Estados-membros da UE, o crescimento dessas forças políticas, de certo modo indesejáveis numa organização como a UE, até pelo simples facto de elas ao serem contrárias à própria existência da UE, as crises económicas como no passado não muito longínquo são sempre terreno fértil para as opções menos democráticas, o que se prevê nestas eleições que resultem no mesmo sentido de privilegiar os partidos menos responsáveis pelos problemas que a crise provoca nas pessoas, como o desemprego. Por isto, tal como ao nível dos Estados, os partidos do centro têm de se preocupar com este fenómeno, claro que muito desse fenómeno deve-se à conjuntura desfavorável de menos prosperidade, contudo importa que se feita uma reflexão sobre as razões estruturais que leva o eleitorado a optar por esses partido e não vale nada estar a tentar adoptar as mesmas políticas desses partidos para lhes retirar raio de acção, assim são vão conseguir dar-lhes mais força e mais votos.
domingo, 9 de março de 2014
Criação da União Bancária Europeia
Parece-me uma ideia, que já devia ter ocorrido aquando da criação do €uro, teria dado muito jeito antes da crise de 2008, a UE neste aspecto falhou redondamente, primeiro ao não ter criado logo quando surgiu a moeda única, depois por ter demorado este tempo todo a decidir e ainda pela demora na sua criação. Este mecanismo de supervisão bancária pelo BCE de toda a banca europeia, faz todo o sentido desde o início, sobretudo poderá ter a utilidade de prevenir crises futuras no sector e deixarem de ser os Estados a ter de pagar com estatizações bancos na falência, infelizmente não há economia sem bancos, eles são os únicos que emprestam dinheiro, o crédito esse dinheiro virtual que faz mover uma economia e sem ela torna inevitavelmente menos forte. É uma das lições da crise a tirar, no futuro esperamos que o Estado não seja obrigado a intervir, porque a supervisão terá poderes para impedir os excessos dos banqueiros e depois que mesmo que isso aconteça haverá um fundo para salvar esses bancos, muitos dos problemas de alguns países como a Espanha ou a Irlanda seriam incomparavelmente inferiores aos que são e a dívida pública de alguns países da UE seria menor, inclusive Portugal onde tivemos o BPN e o BPP que consumiram recursos públicos na pior altura possível. A Europa não pode resolver isto sozinha, precisa que haja um acordo no G8, de modo a que se comprometam a criar regras para limitar a acção dos bancos para evitar a especulação excessiva, sobretudo não deixar que a banca seja determinante nas economias, portanto a nível mundial terá de se conseguir 2 palavras-chave: regulação, fiscalização e supervisão eficazes para não ser possível repetir os erros do passado com a crise do subprime nos EUA.
Cenários previstos no pós Eleições Europeias 2014
Parece que no PSD se vive um dilema, pode não ficar satisfeito com a vitória nem com a derrota, visto que ao considerarem a liderança do adversário fraca de António José Seguro, leva a alguns pensarem que será melhor até perder, não por muitos claro, mas para os suficientes para que Seguro fique e assim tornar mais fácil a vitórias nas Legislativas 2015, ou quando elas ocorrerem. Com certeza, que será sempre um cenário arriscado pensar dessa forma, uma derrota é sempre uma derrota, e perdendo quem garante que não perderão também as outras eleições, seguro será se vencerem ficarem mais próximos do objectivo das eleições seguintes. Bem, isto tudo soa a maquiavélico, no sentido de que a política é a disputa pela conquista, manutenção e exercício do poder, que leva-me a concluir que o objectivo principal dos partidos políticos é evidentemente ganhar eleições, para mim isso no momento próprio, que é o eleitoral, não tem mal nenhum, antes pelo contrário, tal como um clube tem como objectivo ganhar títulos ou uma empresa vender mais produtos, etc. Por isto, vou traçar alguns potativos cenários pós-eleições.
Caso a coligação PSD/CDS vença seja por muitos ou poucos, claro que reforça o Governo e coloca inevitavelmente em causa a liderança do PS, que fica notória a sua incapacidade de derrotar o governo em eleições, o mesmo acontece com um empate, algo improvável, pelo menos na percentagem, mesmo que seja nos euro deputados eleitos, o resultado provocará os mesmos efeitos referidos numa possível vitória da direita, se o PS ganhar por pouco, sobretudo em percentagem e votos, não tanto em mandatos, fica um cenário nubloso, a liderança pode não ser colocada em causa, mas fica a dúvida no ar, se Seguro conseguiria vencer posteriormente as Legislativas, é sem dúvida o cenário mais imprevisível, com a direita segundo o que escrevi anteriormente, se calhar a ficar contente mesmo perdendo e com a sensação de poder ganhar as Legislativas, pelo menos em coligação, algo talvez impensável há uns tempos , se calhar mesmo no seio da coligação, contudo, se o PS ganhar por muitos, em mandatos e/ou votos ficará numa situação favorável à reconquista do poder brevemente e sem beliscar a liderança actual, por outro lado deixaria o Governo numa situação fragilizada, não com motivos para demissão, mas para pensar seriamente que depois do fim do mandato dificilmente o renovariam.
Na minha opinião, vai acontecer o cenário mais imprevisível de todos com o PS a ganhar por poucos deixando muitas dúvidas para o futuro recente político do país, como escrevi ontem julgo que serão obrigados a entendimentos face às circunstâncias do pós-eleições legislativas, mas quem ganha não deixa de ganhar e parece-me evidente que o PS pode ganhar todas as próximas eleições, o problema é que ao contrário do que se pensava há uns meses, a direita tem algumas, poucas mas tem hipóteses de ganhar.
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